IFConnect > Série > Atenciosamente, eu > Carta aos contraditórios manifestantes

Caro leitor,

Como você deve saber, o contingenciamento feito pelo governo tem causado certa oposição de grupos que de praxe discordam de qualquer palavra dita por nosso governante, mas, em momento algum, param para analisar as circunstâncias nas quais o país foi deixado.

Nossa sábia estocadora de vento que não queria estabelecer metas, juntamente com o conde Drácula de Brasília, simplesmente acabaram com qualquer possibilidade de crescimento do país, econômico, educacional ou em qualquer outra área, a médio ou longo prazo.

O contingenciamento é necessário (não entro na questão de que deveria ou não ser realizado da forma como foi), o país não tem a mínima capacidade de continuar esbanjando como até então. Vi várias pessoas reclamando que o presidente acabará com as universidades. Não. Universidade tem e continuará tendo, mas qual é a verdadeira utilidade de universidades em um país que não investe na base? O que falta é ensino básico de qualidade. Não são raros os casos de alunos que concluem o ensino fundamental, ou até mesmo o ensino médio, sem sequer saberem ler ou escrever.

O problema não está no ato de retirar o dinheiro das Universidades e Institutos (que, inquestionavelmente, possuem luxos que as demais redes de ensino público sequer sonham), mas a questão é se, futuramente, o dinheiro será realocado devidamente.

Vivemos num país centrado no governo federal, mas a educação, assim como vários outros serviços públicos, deveriam ser municipalizados (com as verbas sendo devidamente repassadas), para que houvesse diagnósticos pontuais em relação a problemas que possam ocorrer, o que é inviável nas condições às quais estamos submetidos hoje em dia.

O pessoal do “essa culpa eu não carrego, eu votei no…” e do “o objetivo desse governo é acabar com a educação” sequer cogita a ideia de raciocinar se, de fato, o contingenciamento é o bicho de sete cabeças, o qual tanto é pregado. Será que acabará com a educação, sendo que, desde governos passados, cortes vêm ocorrendo (pasme, em 5 anos, o governo federal cortou 66% dos investimentos em educação).

Esses mesmos que, hoje, gritam “fora Bolsonaro”, gritaram “Dilmãe”; e aqueles que dizem “Bolsomito”, disseram “fora Dilma”. Ambos tiveram comportamentos semelhantes, mas qual é o motivo dessa rejeição seletiva em relação aos governantes?
A grande questão é que os governos anteriores apenas cortaram verbas, mas não fizeram as devidas reformas no sistema de gestão do país, como já comentei com você, meu amigo, nesta a qual lhe escrevo. Não sei ao certo se o atual governo investirá, efetivamente, na base do ensino e, se a municipalização da educação acontecerá, cabe ao tempo dizer. Já a nós, cabe a tarefa de aguardar, torcer para que o presidente aja com sabedoria, todavia, se assim não o fizer, utilizar o nosso direito de protesto e, posteriormente, o direito ao voto.

A população como um todo deveria parar de apoiar lado D ou E, negligenciando os erros de quem é a favor e apedrejando aqueles que são contra. Devemos nos unir de um só lado, o do Brasil. Não torcer para que o pior aconteça. Nossas “manifestações” sem fundamento, apenas com o objetivo de denegrir quem está no poder, podem causar diversos danos ao país, e já os causam.

Encerro esta carta deixando o questionamento. Será que nosso fanatismo político está acabando com nosso país e, se sim, como podemos reverter essa situação?

Atenciosamente, eu.

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