IFConnect > Série > Atenciosamente, eu > Carta a uma sociedade volúvel 

Caro leitor, 

Agora que já nos conhecemos, sinto-me mais à vontade em abordar os mais variados temas. Sua opinião pode ter sido diversa em relação à minha primeira carta, e esse era de fato um dos objetivos de tal texto, trazê-lo para uma reflexão sobre situações que muitas vezes nem paramos para pensar. Espero que possamos manter uma relação de comunicação saudável independente de divergências. Sem delongas, vamos lá. 

Talvez você, em algum momento da vida, tenha expressado seus sentimentos intensamente. A vida é uma tragicomédia, não há como negar. Vivemos de extremos, a vida deixou de ser simplesmente a vida. Não somos capazes de viver externos a isso, quando amamos, fazemos isso intensamente, idem, quando odiamos, ou qualquer outro sentimento ou ação que nos aflija. A intensidade não é o mal em questão, ela em si é boa, mas, despropositada, causa desastres por onde passa. A problemática disso tudo é que logo após o clímax, vem o epílogo da história. A intensidade é convertida em desinteresse, amigos transformados em meros conhecidos, amores que são levados pelo vento, instalando-se a indiferença. Relacionamentos não se constroem baseados em eufóricos extremos de emoções, mas sim na constância de sentimentos verdadeiros, intrínsecos às atitudes. Quem ama, demonstra com suas atitudes que está amando, palavras sem propósito de nada valem. Questiono você, meu amigo, será que nós também não temos vivido essa intensidade imprudente? Talvez no meio do cotidiano deixamos que essa intensidade se transforme em apatia. Alguns dizem ser a apatia o mal da sociedade, e, sinceramente, tenho que concordar. 

Sabe quando você acorda de manhã pensando em como as coisas poderiam ter sido diferentes caso tivesse se empenhado e tido constância em algo? Então, são pensamentos sobre um futuro que já não lhe pertence. Deixamos as coisas boas que Deus tem guardado para nós (pasme, sou cristão) em troca de coisas passageiras, não vivemos a intensidade propositada, aquela que verdadeiramente nos pertence desde a criação do mundo. Devemos sorrir, abraçar, sorrir intensamente, louvar intensamente e, acima de tudo, amar intensamente, porque o amor é o elo que aproxima as pessoas umas das outras pessoas e também de Deus. 

Encerro essa carta que lhe escrevo, indagando sobre a apatia no nosso meio. Será que estamos deixando sermos levados por uma avalanche de situações que nos moldaram com essa dificuldade de amar e sentir empatia? 

Atenciosamente, eu 

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