IFConnect > Série > Atenciosamente, eu > Carta a uma sociedade apatriota

Caro leitor,

Que atire a primeira pedra quem nunca disse ou ao menos ouviu alguém dizer “quando concluir a faculdade, irei embora do país”. Somos uma sociedade de inimigos de nós mesmos. Pensamos no Brasil como o fim do mundo, mas nem ao menos tentamos transformá-lo em um local melhor. Desistimos. É a única coisa que sabemos fazer de verdade, darmos as costas às dificuldades. 

Nem ao menos damos o devido crédito ao Brasil, quando merecido. Segunda Guerra Mundial; o Brasil teve importante participação na libertação da Itália, mas não lembramos, preferimos apagar de nossa história qualquer ideia de um país poderoso, rico. 

Um dos países com maior riqueza mineral, vegetal e animal. Territorialmente grandioso. Culinariamente saboroso. Culturalmente belo. Por algum motivo, odiamos nosso país, nossas riquezas, nossa cultura. Odiamos ser brasileiros. Necessitamos projetar outros países em nossos utópicos sonhos. 

Somos um país acolhedor, educado, gentil. Somos o país que acolheu refugiados. Acolheu imigrantes, séculos atrás. Mas esquecemos de acolher a nós mesmos. Rejeitamos nosso próprio país. Rejeitamos nosso próprio povo. Hasteamos bandeiras de inclusão, mas excluímos, rejeitamos nossa própria bandeira. O hino à bandeira já dizia “nos momentos de festa ou de dor”, mas agora parodiarei: “nos momentos de copa do mundo, jamais na dor”.

Talvez seja a hora de repensarmos nossos conceitos de amor à pátria, uma vez que gritar “Brasil”, de quatro em quatro anos, não é o suficiente. Inconscientemente e Irracionalmente, os brasileiros são um dos povos mais apatriotas, e não me espanta termos tantos problemas com corrupção e afins em nosso país, uma vez que os políticos, que tem como uma das funções, amar seu país acima de qualquer outro, amam o dinheiro, fazendo qualquer coisa para consegui-lo, até mesmo trair seu país e seu povo.

Até que ponto nosso apatriotismo tem levado nosso país à falência, não apenas econômica, como moral também? Nós fazemos com que nosso lar vire chacota mundo a fora. Em 2014, o primeiro-ministro Suíço debochou dos valores dos ingressos da Copa, dizendo que eram tão caros, que só os suíços conseguiriam assistir aos jogos, jamais um trabalhador brasileiro assalariado conseguiria presenciar. Por mais que tenha apresentado tom de deboche, até que ponto essa afirmação estava incorreta? Tamanha ganância do brasileiro tem levado tudo e todos a um estado de decadência moral. Como já dizia Renato Russo, “que país é esse?”.

Atenciosamente, eu

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