IFConnect > Visão do Autor > A mitificação do real

Os seres humanos têm certa dificuldade de lidar com a verdade, verdade essa que as vezes pode ser constrangedora, corrupta ou, simplesmente ir contra aquilo que acreditamos trazer eudaimonia, a felicidade suprema. Desde os primórdios da humanidade utilizamos de mentiras para nos beneficiar, ou a outrem, por quem tenhamos certa simpatia. Tal questão tem sido tema recorrente no mundo em que vivemos, ao carregarmos o Facebook, deparamo-nos com notícias que não temos certeza se são fatos ou, se são as famosas “fake news”.

A máxima nazista proferida por Joseph Goebbels de que “uma mentira dita mais de mil vezes torna-se verdade.”, apesar de esdrúxulo do ponto de vista ético, é a pura e simples realidade. Estamos em um mundo líquido, o famoso pêndulo de Schopenhauer. Vivemos mentindo em busca de uma felicidade inalcançável, e justamente por ser inalcançável, ao obtermos aquilo que desejamos, já não o queremos mais, e voltamos novamente ao início do processo de mitificação do mundo real. Criamos mitos em torno de nós mesmos como forma de evitar uma frustração futura.

Um tema sensível, mas que necessita ser debatido. Pessoas que, ao se depararem com o que não sabem lidar, fogem de seu compromisso com a verdade. Redatores que, ao serem confrontados a escrever sobre algo com o qual não concordam, veem-se encruzilhados entre relatar a verdade desnuda ou ficções criadas na intenção de amaciar o seu ego.

Devemos nos policiar, ao manifestarmos nossas opiniões, de abstrairmo-nos do conveniente miticismo midiático e focarmos na plena verdade dos fatos. A mentira acarretou diversos danos à humanidade no decorrer dos séculos, não é uma prática atual, mas, com certeza, está destacada nos dias de hoje. Como afirmou George Orwell, “numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário”.

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