Narrativa

A História de Cléber

O Manual do Caçador

Cap. 1  A caçada aos subterrâneos.

Vários barulhos, cantorias e brigas inundavam a taverna velha iluminada pela luz do sol onde várias raças diferentes se juntavam para beber e se divertir. Cléber, sentado em uma cadeira do balcão em frente ao dono da taverna, suspira e diz.

– Me vê mais um co… – Cléber é acertado pelo soco de um anão.

Em poucos segundos, a taverna inteira estava repleta de socos e apostas até que um guerreiro com uma armadura brilhante feita de um metal preto reluzente entra. Neste momento, a única coisa que dava para ouvir na taverna era o silêncio e os passos do estranho de armadura preta, ele vai direto até um dos anões que estavam no meio da briga, pega o anão pelos cabelos e sai andando. Todos, ali, sem saber o que tinha acabado de acontecer voltam a brigar, beber e cantar. No meio da confusão, Cléber se aproveitou para pegar um saco de moeda que estava em cima do balcão e saiu andando sem que ninguém percebesse.

-Ah, que sorte eu dei de encontrar essas moedas moscando.

-EEII!, Cléber, onde você estava? Nós acabamos nos separando após a caçada de ontem.

-Bom dia, Klaus, você sabe onde está o resto dos vagabundos? Nós bebemos a noite inteira eu mal me lembro do que aconteceu.

-Não, eu não faço a mínima ideia de onde eles estão.

Eles têm a conversa interrompida pelo grito de uma mulher não muito longe de lá, reconhecem o grito e saem correndo para ver o que aconteceu. Quando eles chegam, a única coisa que encontram é Darlene reclamando da vida como sempre.

-Eu, Darlene, quebrei a unha!

Cléber suspira vira as costas e sai andando.

– Não é quem eu queria, mas já serve. Andem! Nós ainda precisamos encontrar o Bask.

-Ei! Cléber, que maldade! Eu quebrei a unha, sem contar que ontem à noite, após a caçada, vocês desapareceram sem mais nem menos, eu passei a noite inteira procurando vocês, seus bêbados de uma figa!

Enquanto Darlene falava, os dois saíram andando à procura de Bask e não deram a mínima para as suas murmurações. Andando pela cidade à procura de Bask, eles encontram uma pessoa andando pela rua com uma mochila enorme dando passos quase interceptáveis quase como um assassino perfeito. Darlene sai correndo na direção dele e o abraça.

-Bask! Que saudade! Eu fui obrigada a andar com esses bêbados miseráveis à procura de você.

Bask faz um cafuné na cabeça de Darlene e diz.

-Enquanto vocês dois bebiam e a Darlene andava pela cidade reclamando, eu reparei todos os nossos equipamentos, mas está rolando um rumor pela cidade que as pessoas de Aghatemir andam sumindo à noite.

Cléber dá um tapa nas costas de Bask que quase o joga no chão.

-Esse é o nosso líder! Não para de trabalhar nunca; a propósito, Bask, você tem uma ideia do porquê disso?

-Creio eu que sejam Quaggoths.

-Quaggoths em Aghatemir?! Eles não eram criaturas subterrâneas?

-Eles nem sempre foram os habitantes brutais do subterrâneo que são hoje em dia. Numa era distante, tribos de Quaggoths habitavam a superfície como arbóreos caçadores noturnos que possuíam sua própria língua e cultura.

-Faz sentido! Que tal irmos para o nosso acampamento e nos prepararmos então? Vai ser a primeira vez que caçaremos um Quaggoth e ainda vai ser na superfície. Que raridade, hein…

-Para sua infelicidade não será na superfície, os Quaggoths normalmente possuem em seu bando Thonots, que são uma espécie de xamã. Em uma caverna, o poder deste xamã será limitado, pois a magia que ele usar dentro da caverna terá a chance de acertar um de seus. Outra característica interessante sobre os Quaggoths é que eles são servos de Drows, e como é praticamente impossível encontrar um Quaggoth na superfície, eu creio que este seja o caso.

-Só papo furado… O que nós temos que fazer então é só dar uma surra neles, não é?

-Eu, Darlene, declaro Cléber um idiota que só sabe brandir a espada de um lado para o outro.

Após horas de conversa, Bask, Klaus, Darlene e Cléber descansaram e estão neste momento no portão de Aghatemir, uma cidade de anões criada no meio de montanhas, cercada por cavernas e ninhos de monstros. Aghatemir foi o lar dos melhores ferreiros que este mundo já conheceu.

-Sério isso? Eu, Darlene, uma elfa linda e maravilhosa não merece ficar no meio destes anões nojentos, não é mesmo, Bask?

-Não me coloque no meio de suas paranoias.

Enquanto eles estão discutindo, uma velha chorando e bem desesperada sai correndo em direção a eles.

-Caçadores, por favor, me ajudem! Resgatem meu filho! Ele sumiu há sete luas e eu não sei mais o que fazer meu filh… – Darlene interrompe a velha que estava chorando e diz.

-Você mesma disse, nós somos caçadores e caçadores não trabalham de graça, mostre o dinheiro que você está disposta a pagar e nós pensaremos no seu caso, se não, nem vamos perder tempo ouvindo seu papo furado.

A velha tira do bolso um saco cheio de moedas de ouro.

-Estas são minhas economias, eu guardei dinheiro minha vida inteira para um momento como este.

-Guarde esta bolsa, se alguém vir uma velha andando com essa quantia por aí provavelmente será morta e roubada. Se você quer tanto assim seu filho de volta, vá até a guilda e abra uma missão para isso. Entenda, dinheiro não é a única coisa que precisamos, no nosso ramo, reputação também conta muito, e a única forma de conseguir isso é concluindo missões na guilda.

-Bask! No que você está pensando?

-Cale a boca Darlene! Nós somos caçadores e não ladrões, sem contar que nós não temos tempo a perder. Veja, o sol provavelmente irá se pôr em quatro horas, vocês farão exatamente o que eu mandar e me encontrarão no acampamento em três horas. Cléber! Pegue essa velha e abra uma missão na guilda com o pedido dela, aproveite e veja se tem mais algum relacionado. Klaus! Darlene! Coletem o máximo de informação possível, lembrem que os Quagghots são uma mera dedução minha ,nós ainda não temos certeza do que nos aguarda dentro da caverna. Eu cuidarei de todos os preparativos e ficarei de guarda na porta da caverna. Sinceramente, estes anões só criam suas cidades no meio de montanhas, patético…

Enquanto Bask estava na porta da caverna afiando sua espada, Cléber, Darlene e Klaus chegam ao local. Bask já tinha estabelecido uma espécie de acampamento lá.

-Cléber! Conseguiu mais um contrato pela cabeça dos monstros ?

-Mas é claro! A propósito, bela fogueira você fez! Creio que ela não irá atrair todos os monstros das montanhas para o nosso lado.

-Se aparecer algum, eu mato. Sem esta fogueira, eu congelaria até a morte, ou será que você acha que eu sou uma espécie de pinguim para ficar de tocaia no frio?

-Pelo que vejo, seu senso de humor está ótimo.

O barulho de passos que vinha da caverna interrompeu a conversa de Bask e Cléber, que agilmente se preparam para o pior junto de Darlene e Klaus.

-Haha! vejo que vocês são bem engraçados, se tivessem virado comediantes em vez de caçadores provavelmente teriam vivido por mais tempo –  a voz veio de uma silhueta preta que vinha andando calmamente de dentro da caverna. (continua…)

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