A irracionalidade dos racionais

Meu cachorro, Jasper, é viciado em pegar bolinha, poderia fazer isso o dia todo, acho que lhe traz de alguma forma felicidade; mas certa vez, de tanto forçar os dentes no brinquedo, a sua boca estava sangrando.
Lembro-me de minha reação. “Cachorro burro, ser irracional, persistindo em algo que só te traz mal”. Mas após este acontecimento, comecei a refletir sobre o ocorrido e sobre minhas palavras.
Nós humanos somos considerados seres “racionais”, temos consciência do que fazemos e de qual será o nosso fim. Mas assim como meu cachorro, persistimos em algo mesmo sabendo que pode nos machucar, porque de alguma forma este algo nos traz felicidade e imaginamos que a dor vale a pena ser sentida.
Ignoramos todos os sinais, nos vendamos, caímos sempre na mesma armadilha porque somos desesperados por sentir, por dar e receber amor. Algumas vezes, acabamos perdendo a razão e agindo somente por impulso. “Deixa o coração te guiar” é o que dizem.
Talvez nós não sejamos tão racionais assim, talvez o sentimento seja uma barreira entre a irracionalidade e racionalidade que, ao tentar enfrentar, fracassamos.
Possuímos a capacidade de sentir, mas não o poder de controlar estes sentimentos. Possuímos a capacidade de pensar, mas nem sempre controlamos nossos pensamentos. Possuímos a racionalidade, mas nem sempre agimos como racionais.
De alguma maneira, aquela bolinha é sinônimo de alegria para meu cachorro, ela vale toda a dor sentida, e nós não passamos longe disso.
Mas será que compensaria? Se superarmos a barreira do sentimento rumo à racionalidade teríamos que superar nossas emoções, agir pela razão, teríamos que nos perder.
No dia em que pararmos de levar em conta nossas emoções e começarmos a enxergar o mundo sem elas, poderemos ser chamados de racionais, mas enquanto isso só seremos o “Cachorro burro, ser irracional, persistindo em algo que só te traz mal”.

Livia Alves

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *