E a história?

É triste! É realmente triste, ver que em horas pode se por fim a toda uma história, na verdade, a milhões de histórias.

Como é possível um governo que tenha tamanho descaso com a pesquisa, com a ciência, com a história de um país? Como pode?

O Museu Nacional da Quinta da Boa Vista não existe mais, com ele, 200 anos de preservação da história de um país se tornam cinzas.
O que em duzentos longos anos se cuidou, se preservou e se manteve vivo, morre em menos de 12 horas em chamas e em lágrimas. Lágrimas daqueles que, por muito, tentaram, pesquisaram, buscaram, desenterraram, lágrimas de quem já morreu, mas morre de novo. E morre por quê? Morre porque não há verba, morre porque não há respeito, morre pois, para alguns, é só na morte que se dá valor.
Mais de 20 milhões de itens, a história não só de um país, mas também de muitas civilizações se dissipa no caos do fogo.
Vão-se insetos e dinossauros, homens e mulheres, indígenas e egípcios, cadeiras e sarcófagos, documentos e fotografias, meteoros e pedras, tudo se vai, fica a indignação.
Não há mortes físicas, mas há feridos. Feridos por dentro, bem no fundo da alma, feridas que nunca vão ser remediadas.
Tristes são os olhos de quem vê. Tristes os olhos de quem tenta salvar o que pode, no entanto não salva a si mesmo; a alma perde um pedaço, o trabalho perde o sentido.
Que governo nós temos e tivemos? Um governo que não se preocupa com a história de um país? Que é tão inconsequente e ignorante com a pesquisa e trabalho do seu povo ao ponto de deixá-los acabar em chamas?
Com o museu Nacional, morre um pedaço do Brasil. Morrem as salas onde reinou D. Pedro II, os corredores por onde passaram os feitores da primeira Constituição da República.
Na Semana da Independência, morrem não só 200 anos, mas se vai com o fogo um pedaço de Brasil, um pouco da história da Terra.
Vá embora, Luzia! Esse Brasil não é para você! Mais de 11 mil anos de história não foram o suficiente para que você tivesse o merecido respeito e cuidado, vá-se embora, e leve com você  tudo o mais que havia, quem sabe, agora que não existem mais, lhes deem o merecido valor.
A perda é imensurável, o descaso… Maior ainda.
“Todos que por aqui passem protejam esta laje, pois ela guarda um documento que revela a cultura de uma geração e um marco na história de um povo que soube construir o seu próprio futuro. “- inscrição em frente ao Museu Nacional.

Foto: www.veja.abril.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *