III- A Vítima e Sua Utópica Lágrima

PARTE III

Meu irmão voltara ainda à noite, vomitando muito, mas isso já era normal. Passou mal a noite toda, acreditando ser por causa das bebidas e drogas em excesso. No outro dia, já não acordara novamente.

Quando papai deu falta do Ítalo, já estava quase na hora do almoço e foi ao seu quarto, de onde gritava e chorava tão alto que todos na casa se direcionaram ao cômodo. Meu irmão estava deitado desajeitado. Sua boca ainda tinha um pouco de espuma e a cama estava molhada com seu vômito e urina. Seus olhos estavam claramente virados mostrando que tivera convulsões.

Papai disse à polícia que ele tinha morrido de overdose, afirmação em que acreditaram após comprovarem que Ítalo usara drogas na noite passada. Depois de algumas perguntas, decidiram  que não seria necessário fazer nenhum tipo de investigação.

Eu estava em prantos na sala, mas apenas para completar minha tarefa com êxito. Porém, papai estava realmente acabado real e tentava consolar Beatriz, minha irmã mais nova, que soluçava tanto que ficava sem ar, ainda chocada com a situação com que se deparara horas antes.

Semanas depois, eu já retomava a administração da empresa e, com a morte do Ítalo, papai adiaria a ocupação de seu cargo. Isso me daria tempo para consertar o que meu irmão estragara e também de provar a meu pai que já estava pronto para assumir minha parte nos negócios.

Meu pai estava aos poucos se recuperando e já falava comigo sobre os negócios novamente, mas agora minha irmãzinha já não era tão pequena. Passaram-se quase dois anos desde que Ítalo morrera, meu querido irmão, agora os bens de meu pai também seriam divididos com Beatriz. Ele sofria agora de Alzheimer e para evitar complicações faria o testamento na semana seguinte.

Beatriz era uma garota inteligente, aplicada, porém esquecida e distraída. Ainda nutria por ela imenso ódio, pois chamara, quando ainda menor, em várias ocasiões Íris de “mamãe” o que era inaceitável. Nas últimas semanas as notas de Beatriz caíram e terminara seu namoro, no qual havia sido traída.

Esperei atentamente papai dormir e me dirigi ao quarto de Beatriz, onde resolveria mais um problema naquela casa. Retirei uma navalha que ficava em minha mochila e entrei sem bater encontrando minha irmã seminua.

Minha confissão CONTINUA, na qual procuro encontrar a remissão…

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