II- A Vítima e Sua Utópica Lágrima

PARTE II

Todos fomos ver o que poderia ser, sendo direcionados ao porão,  deparamo-nos com uma cena horrenda. A mulher encontrava-se em estado de putrefação e  havia marcas de unhas nos degraus da escada que levavam à porta, esta também arranhada. Ela estava sentada, posição que revelava obviamente a percepção de que nunca sairia viva daquele porão. Seu rosto e olhos mostravam o terror de quando morrera.

Após retirar o corpo, concluiu-se que Íris morrera por um golpe da má sorte, pois esquecera de colocar um objeto que impedisse a porta de fechar-se, trancando-se no minúsculo cômodo para uma morte quente e lenta.

Eu encontrava-me tranquilo, pois as conclusões da polícia eram exatamente aquelas que eu queria que tivessem. Havia aprendido com meu pai a planejar as coisas, afinal. Uma satisfação me consumiu, mas não podia demonstrá-la, pois levantaria suspeitas.

Meu pai se desestabilizara e os negócios estavam sendo administrados por mim e meu irmão. Este não estudara nada em sua vida e o pouco que sabia sobre os negócios era o que havia visto meu pai fazendo. Ele errava contas; investia sem retornos; comprava sem antes apurar preços mais baixos; causava tantos prejuízos à empresa que nem mesmo os altos lucros que papai acumulara por anos cobriam-lhes.

Passara bastante tempo assim, mas já chateado com aquela situação, da qual meu irmão era o completo culpado, meu subconsciente iniciou novamente outro plano. No mês seguinte, papai já planejava reassumir a administração dos negócios, isso levaria um mês, até lá a empresa estaria quase ruindo por completo.

Meu irmão saía todos os dias para suas noitadas, marcando encontros com qualquer pessoa promíscua o suficiente para querê-lo. Voltava bem tarde da madrugada ou logo antes do almoço no outro dia.

Papai dormira cedo essa noite e minha irmãzinha não era mais tão pequena, porém, como era ainda muito apegada a Íris, entrara em depressão desde que ela morrera, não saindo para muitos lugares além de seus aposentos e a cozinha.

Saí antes de meu irmão e me dirigi para onde havia marcado o encontro. Ele não sabia, entretanto eu havia descoberto um dos locais de seus encontros. Era uma casa que ele comprara há bastante tempo, para onde levava suas companhias. Ao chegar ao local, como era esperado, encontrei cigarros e bebidas. Abri todas as garrafas que consegui e coloquei nelas a solução para ruína da empresa. Terminado o trabalho, retirei-me do local antes que meu irmão chegasse.

Sabia que hoje sua companhia não bebia, pois havia sido minha colega na adolescência e a conhecia muito bem. Também sabia que ela já havia sido presa por brigas e tumultos nas ruas.

Voltei para casa e esperei meu problema consumir a solução por si só. Agora já não havia em mim vontade alguma de que minha mãe estivesse ali, pois tal pensamento me assustava, tamanha seria a vergonha que ela teria. Porém esses pensamentos não os considerava mais tão importantes e estava fazendo o certo.

Meu relato NÃO ACABA AQUI, pois todos têm a chance da absolvição.

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