UMA BREVE ANÁLISE DA ESPÉCIE HUMANA

Analisando os desejos da espécie humana desde o nascimento até o início da fase adulta, é possível perceber certo padrão: depois que estes crescem, começam a pensar menos em quem gostariam de ser e mais em quem realmente são.
Se você entendeu, meus parabéns, se não, eu – o mais brilhante especialista em interpretação dos desejos humanos que você jamais conheceu – explicarei, afinal, apenas quem não é humano sabe realmente que o “homem sábio” pode, por vezes, mostrar-se não tão sábio assim.
Imagine-se criança, meu jovem não tão sábio – se ainda é criança, imagine a si mesmo – e tente se lembrar quais eram seus desejos. Você queria ser tão forte quanto o meu primo – que adora roubar a atenção para si nos momentos menos apropriados – Super Homem? Ou talvez até mesmo um bombeiro para salvar as vidas que vocês mesmos colocam em perigo, não é? Ou no mínimo, queriam seguir algo nesta linha de raciocínio.
Ah, não posso esquecer de mencionar o espécime feminino da raça humana: a que é mais sábia que os menos sábios entre vocês. Ela, apesar de ser cerca de três por cento mais realista que o espécime masculino, também apresenta um alto grau para desejos. Reflitam, minhas queridas, vocês queriam ser bailarinas, modelos, ou empresárias, estou errado?
Alguns, é claro, discordarão de mim e dirão que o espécime humano masculino é mais sábio e outras inúmeras bobagens dignas de insetos, mas, no fundo, sabem que o espécime masculino é o que é: um ocultador.
Claro, como quaisquer outros seres, vocês apresentam suas exceções, mas ainda não cheguei ao ponto principal da questão: todos alimentam desejos quando ainda estão em frase de crescimento, mas porque não chegam a tirá-los da imaginação e os trazem para a realidade?
Essa parte, queridos terráqueos, eu demorei a decifrar, e ainda temo que talvez minha interpretação não seja a mais correta – mesmo sendo, claro, o melhor especialista em interpretação dos desejos humanos.
Qual é o evento que faz todos vocês pararem para pensar no caminho que querem seguir com cuidado em vez de simplesmente segui-lo? Todos vocês são seres humanos e sofrem as mesmas coisas em todas as fases da vida, mas, ainda assim, escolhem continuar complicando a convivência entre si e causando mais sofrimento. Já se tornou um ciclo vicioso e, sinto dizer, um espetáculo para mais evoluídos – como eu – assistirem no que vocês chamariam de “programa de domingo com a família”.
Vocês não sabem quem são e, infelizmente, são poucos os que chegam a descobrir antes que a sua morte apareça. Passam a vida desejando e desejando, mas nunca – ou quase nunca – realizando. Desejam ser alguma coisa e desejam que algo apareça, mas não se mostram dispostos a abrir mão de certas coisas para realizar outras.
Por vezes realizam e encontram-se infelizes, porque, no final das contas, é algo que achavam querer, mas que na verdade não queriam realmente. Fazem coisas pouco inteligentes, por orgulho e por capricho, e passam anos culpando outros pelos próprios erros. E tudo sem procurarem conhecer a si mesmos.
Passarão décadas e vocês chegarão a uma única conclusão: destino.
A vida não ter saído da forma como você queria foi destino, afinal, o que você fez? Procurou sobreviver – em algumas ocasiões a palavra viver não se mostra correta. Mas, um de vocês já disse – este mais sábio que os outros – e faço das palavras deste as minhas: enquanto o ser humano não tornar o inconsciente consciente, ele o controlará e vocês chamarão de destino.
Para resumir, adorados habitantes da Terra, tudo seria mais fácil se vocês tivessem autoconhecimento – tudo, seus desejos e medos, felicidades e angústias, bondade e vileza.
Por fim, posso concluir dizendo que o nome que lhes deram foi extremamente apropriado: ser humano, não tão sábio, mas humano.

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