Paranoia ou mistificação?

Há duas espécies de brasileiros. Uma composta dos que veem normalmente as coisas e, atentos à realidade, buscam um país melhor e justo. Por isso, não compactuam com a imoralidade e a putrefação de certos partidos políticos. Prezam, indistintamente, pela justiça e não são capazes de ignorar as circunstâncias. A eles, o amor à pátria sobrepõe os mesquinhos interesses particulares.

A outra espécie, que nasce da paranoia e da mistificação, é formada pelos que veem anormalmente a realidade, e, junto de inteligências como as de Gregório Duvivier, cuja capacidade de análise política é mais risível do que suas fracas piadas, interpretam-na à luz de teorias efêmeras e autoritárias.

Eles recortam apenas fragmentos do contexto, de modo a atribuir-lhe o sentido que quiserem. Um exemplo é o ataque dissimulado à Operação Lava-Jato, alegando que haveria uma seletividade com relação ao Partido dos Trabalhadores e ao ex-presidente Lula. Contudo, ao afirmarem isso, contrariam veementemente os números, uma vez que há investigados do PMBD, PSDB, PTC, entre outros, sendo o maior número deles do Partido Progressista (PP).

Porém, o que importa a esses sujeitos é a defesa incessante de seus princípios, condensados em um programa abstrato que deve ser aplicado à sociedade. Nesse percurso, transfiguram toda a base moral e legal instituída no país, como demonstra a defesa a movimentos como o MST, que representa, conforme já prenunciava Frédéric Bastiat em seu livro “A Lei”, uma situação na qual “a lei coloca todo o aparato de juízes, policiais, prisões e gendarmes a serviço dos espoliadores e trata a vítima, quando ela se defende, como criminosa”.

Eles dizem que não é preciso ler Marx para ser comunista. Nesse sentido, Georges Clemenceau, estadista francês, foi realmente sábio quando apontou que “um homem que não seja um socialista aos 20 anos não tem coração. Um homem que ainda seja um socialista aos 40 não tem cabeça.”

Com o tempo, é natural perceber que, de acordo com João Pereira Coutinho, na verdade, “todos somos conservadores. Pelo menos, em relação ao que estimamos. Família, amigos, amores. Lugares, livros, memórias até”. Não é por acaso que muitos autores apontam o conservadorismo primariamente como uma disposição ou um instinto.

Diante de certos perigos e ameaças, é que os conservadores reagem, porque, munidos de um senso de realidade, sabem valorizar as tradições e os valores instituídos. Aliás, compreendem que não é porque a luta contra a corrupção não terá seu fim que não prenderemos um corrupto. Nem significa que essa prisão será um sonho dourado, que trará o desenvolvimento para o país. Ela seria, pura e simplesmente, a aplicação de uma pena a um indivíduo que, por seus atos ilícitos e desmedidos, é incapaz de viver em sociedade.

Um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *