As Vanguardas Imbecis

Sujeito não concorda com verbo. Acentuação é algo inútil. São essas as impressões daqueles que caminham pelos corredores do IF de Machado. A oração “Temer e o Congresso quer acabar com a aposentadoria”, estampada em um dos vários cartazes afixados pela escola, é a prova categórica do analfabetismo funcional dos alunos. Eles sabem identificar as letras e os números, porém encontram real dificuldade ao organizarem suas ideias em orações e, posteriormente, textos.

O cartaz acima não somente evidencia a condição precária dos alunos, mas também o nível de influência que sofrem. Apesar dos problemas com o uso do português, esses jovens estudantes fizeram oposição às reformas políticas do país. Contudo, como alguém que desconhece a estrutura básica de sua própria Língua pode compreender textos legais de elevada complexidade e, ainda, manifestar-se de forma contrária a eles? Só há uma resposta: eles não entendem. Apenas reproduzem o discurso de seus professores.

Ao observar a greve e a manifestação desses professores e alunos, a imagem das Vanguardas Europeias, do século passado, vem à mente de imediato. No escrever, no falar e no pensar são cubistas e dadaístas: rompem com o bom senso e com a lógica. Repudiam a consciência nas atitudes e buscam nada além da radicalidade e das críticas ao capitalismo e ao governante que eles mesmos elegeram indiretamente. Ademais, diante da incapacidade de obterem uma visão completa da realidade do país, fragmentam-no e tentam encontrar, em uma das partes, algo que possa justificar seus pontos de vista deficitários.

E, se as Vanguardas de outrora foram o prelúdio do Modernismo no Brasil e o desfecho da produção clássica, as atuais ressoam o cântico fúnebre de todos esses imbecis apoiadores do retrocesso brasileiro e, consequentemente, demarcam que, talvez, haja a esperança de um país livre e moderno no horizonte.

4 comentários

  • Se apenas as pessoas dotadas de grande domínio gramatical são capazes de entender propostas e planos do governo, então fica a dúvida meu caro, o governo que aí está foi eleito em sua maioria por pessoas que não possuem tal saber gramatical, logo, se essas pessoas não sabem entender propostas, pq quem elas elegeram teriam capacidade para propor tais reformas? E os professores que possuem grande conhecimento gramatical e pelo argumento usado no texto são os melhores para entender as reformas, se opõem a elas com tanto empenho. Alem de sua arrogância que ignora todas as outras formas de aprender, entender e se expressar e a propria inteligencia de seus colegas, cartazes são apenas para passar uma rapida mensagem, não são obras literarias, servem para plantar a curiosidade, quem os leu tera toda liberdade para pesquisar a veracidade da informação. E se alguem é imbecil é quem nega a sabedoria dos professores, rebaixando uma profissão de tão grande nobreza, isso sim evidência o seu nível de imbecilidade.

    • Se você tivesse lido, interpretado e entendido o texto, teria poupado o comentário, que serviu apenas para reforçar minha tese. Por isso, muito obrigado!!

  • Usar a palavra “imbecil” me soa bastante preconceituoso. A funçao do cartaz foi um protesto, e nao ensinar a lingua.
    Todo tipo de preconceito é ofensivo, inclusive o linguistico.

    • Preconceituoso é, na verdade, usar os termos “preconceituoso” e “preconceito” diante de evidências tão cabais como a imagem. Além disso, preconceito linguístico não é aplicável ao caso.

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