Temos que falar da nossa segurança

Segurança pública é um problema de quem? É política ou é polícia? Mal começamos o ano de 2017 e o tema já vem à tona. Após o massacre e a revolta no Complexo Penitenciária Anísio Jobim (Compaj), o governo lançou o novo plano de segurança nacional que envolve a construção de mais presídios, diminuição na gravidade das penas e a criação de órgãos de inteligência.

Michel Temer afirma ter sido responsabilidade da empresa (terceirizada) Umanizzare, o que torna a situação irônica é que órgãos governamentais responsáveis pela fiscalização dos presídios já haviam notificado as autoridades sobre o risco de uma rebelião (incluindo detalhes sobre as imprudências da Umizzare e a precariedade dos serviços).

Bem, enquanto o país se diz em crise e com cortes de gastos vindo por aí, assumir um plano de segurança pública apenas soa efetivo, não adianta muito.

Com lembranças de que a própria capital do Rio de Janeiro na sua crise toma medidas com enfoque na base do problema, em âmbito nacional, a atual conjuntura política dá tiros cegos na espera de acabar com a violência criando mais hiatos para serem preenchidos pelas facções e pelo tráfico brasileiros.

A atual preocupação, e que atinge diretamente os mineiros (principalmente os do sul), é exatamente extinguir de maneira efetiva o capital que supre as facções, claramente, prender os “cabeças” das facções não é efetivo, nem mesmo as constantes apreensões de drogas se mostra eficiente, já que as regras mais básicas do capitalismo nos mostram que uma grande demanda para uma pequena oferta gera lucros extremos.

A legalização das drogas

No espectro político, vemos uma direita tomando medidas conservadoras e um extremo progressista colocando na mesa opiniões um tanto controversas.

A legalização da maconha (e de outras drogas) tem sido um assunto bem recorrente para as secretarias de segurança, contudo, existem medidas legislativas muito mais complexas ainda a serem desenvolvidas para que esta opção seja viável.

Mesmo o massacre da Compaj sendo uma vingança contra a facção PCC (Primeiro Comando da Capital) – Milícia paulista – muitos dos jovens envolvidos cumpriam pena por porte de drogas ou penas consideradas mais leves. O fato é, mesmo que todos ali estejam cumprindo pena, o massacre continua fazendo mais vítimas do que deveria.

Hoje, a polícia militar, civil e estadual recebe bônus salariais baseado em prisões e apreensões feitas.

O preconceito como catalisador

O combate à milícia tem sido jargão de discurso político nas grandes capitais, e entender todo o funcionamento das milícias nos estende até CPI’s (da qual apenas a carioca teve sucesso), que indicam vereadores e deputados envolvidos nesse sistema que luta para acabar com as cabeças dos esquemas.

De fato, impedir que este tipo de crime chegue aos gabinetes não deveria ser um cenário imaginável, uma vez que isso apresenta um governo negligente e focado em medidas que não estão se mostrando efetivas, todas impulsionadas pelo mesmo discurso de ódio que, adicionado a uma base de segurança mal estruturada, geram apenas prisões superlotadas e um aumento na criminalidade.

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