Eu Escolhi Você (Polêmicas, e é pior que mamilos) – Parte 2

A cantora Clarice Falcão, grande representante de muitos movimentos minoritários lançou o clipe da sua música “Eu Escolhi Você”. E que clipe! Claro, retirado com sucesso do youtube por “violar” (?) possível a política contra nudismo do site. Bem, para aqueles que quiserem se arriscar acessem. Aviso de nudez!

Bastaram alguns poucos e míseros minutos para surgirem comentários do tipo: “Aquela feminista perdeu a noção da realidade, sem escrúpulos, pervertida”. Fica fácil olhar e criticar sem questionar, afinal, qual é o verdadeiro intuito de uma obra de arte? Causar questionamentos e não apenas admiração é o intuito de artistas da mesma “laia” que a Clarice.

Analisando a letra:

“Eu escolhi você
Com fé de não me arrepender de te escolher
Até um outro aparecer
Não fica triste não
Eu escolhi de coração
Também por falta de opção mas foi você”

Eu sou um crítico constante dessa dita nova ordem do amor, em que não nos importamos mais com os sentimentos e seguimos por entres casos constantes até acharmos a pessoa certa, não julgo o sistema, julgo suas consequências. Em um local onde as relações efêmeras, as ficadas, são mantidas constantes, cria-se uma banalização no espectro emocional. Manter alguém pela imagem do casal e prevenir as bads é comum nos dias de hoje, é um sintoma das nossas atitudes.

“Eu escolhi você porque
Não tinha tanta gente pra ser meu, vê só
Que sorte você deu
Dos males o menor
Porque você é o melhor
Ou melhor, o menos pior pra escolher”

A constante necessidade de ter alguém, não é uma decisão puramente individual (falo isso com muitos embasamentos sociológicos e antropológicos). Todos sabemos da existência de uma pressão constante para se ter alguém, casar, ter filhos, constituir uma família (sem entrar nos espectros que envolvem a questão de gênero, por mais que as mulheres sofram mais este tipo de pressão do que os homens). Segregamos a sociedade entre os garanhões e as ditas vadias, e as moças e pais de família. Se você escolhe a solidão, não nos importam seus argumentos, você sempre vai ser um marginal da sociedade.

“Na minha vida já existiram
Cinquenta opções de amor
Quarenta e nove desistiram
E você foi o que sobrou”

Ciúmes é um dos assuntos mais recorrentes entre os casais de hoje, criar essa imagem monogâmica de casal perfeito é um assunto muito questionado pela juventude liberal de hoje. No que se constitui uma relação aberta? Não se trata de escolher um apenas, mas dentre todos os crushs, ficar com o único que lhe dê alguma atenção, o que garante a veracidade da relação enquanto ante a escolha que fora feita, muitos outros estavam compartilhando os mesmos sentimentos que você tinha por eles?

Neste momento, quando nos voltamos para o clipe, para uma breve análise, vemos sequências de cenas em que corpos nus são mostrados de formas diferentes, nesta primeira parte, analisemos como eles são mostrados, ler as ações é algo importante. Vemos pessoas tímidas, pessoas que já estão acostumadas com o que vivem, podemos ver o rosto delas através das suas ações, vemos quem são, vamos que estamos falando do nerd da escola, da gordinha liberal, do homossexual repreendido, do garanhão com quem todas querem ficar. Pelas ações definimos esses tipos.

Onde está então a necessidade deste nudismo? Cada vez mais banalizamos o que são os sentimentos e glorificamos as relações carnais, em um mundo onde um clipe com nudismo (sem nenhuma conotação sexual direta) causa tanto alvoroço, devemos conversar sobre sexualidade! Vejam por si só o clipe, tentem olhar sem pensar no lado sexual e verão a arte acontecer. Mais ainda, quando vemos as pessoas usando todos os outros adereços ao fim do clipe, eu vejo da seguinte forma, mesmo a sexualidade sendo glorificada, ainda não falamos dela com sinceridade, sempre colocamos uns centímetros a mais, ou tiramos algumas pessoas da nossa lista. Olhamos para as pessoas que queremos pensando no que há de baixo dos panos, olhamos para elas como objetos sexuais e de desejo.

Perdoem as generalizações, perdoem as palavras duras, mas precisamos conversar sobre isso, até quando vamos  fugir?

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