Inteligência atual

Começaremos citando aquela boa e velha frase, dita por muitos e compreendida por poucos: notas não definem sua inteligência. Em padrões científicos, existem sete tipos de inteligência: a linguística, caracterizada pela facilidade em se expressar; a lógica, caracterizada por uma alta capacidade de memória e de resolver desafios lógicos e matemáticos; a motora, definida pelo enorme talento em expressar-se corporalmente e ter grande noção de espaço, distância e profundidade; a espacial, indicada pela facilidade em pensar e criar desenhos em 2D e 3D; a musical, uma das mais raras, sendo que as pessoas que a possuem têm grande facilidade para ouvir músicas e identificar seus diferentes padrões; a interpessoal, compreendida pela capacidade de interagir nos ambientes de liderança e a intrapessoal, que permite entender o que as pessoas pensam, desejam e sentem. Porém, as considerações científicas não se aplicam às escolas atuais. Somos preparados para fazer uma prova de múltipla escolha, em que o conteúdo deve ser digerido, processado e esquecido logo após o exame. Isso é o que realmente mede sua inteligência para a sociedade atual: números. Notas.

O sonho da maioria dos alunos é ingressar em uma boa faculdade, apresentar seu TCC e ter a vida garantida com um emprego estável e seguro, certo? E o que o processo seletivo para que isso se concretize proporciona? Muitas vezes felicidade, mas em grande parte dos casos leva ao sofrimento, desgaste e cansaço. A pressão da família e da escola sobre o vestibulando causa ataques de nervos. Não é simplesmente “sentar a bunda” na cadeira e iniciar o momento de estudos. É necessária uma enorme força de vontade para que permaneça cinco, seis horas na frente de livros, tendo de ler e reler muitas vezes a mesma página, na tentativa desesperadora de compreender o que foi proposto. A prova de sobrevivência. Você deve “matar” todos os outros concorrentes com sua nota, ou a universidade será apenas história.

Todos os dias são oferecidos diferentes métodos de aprendizado, desde apostilas até a cursinhos online. Ocorre uma tentativa de colocar o material “vestibularístico” a qualquer custo dentro da cabeça dos estudantes, em muitos casos, por um preço abusivo e que não corresponde à qualidade. Mesmo utilizando de vários recursos, ainda existem os “desajustados” à norma de seleção, que não conseguem absorver um terço sequer do que é oferecido e estes são os considerados burros. Burros por quê ? Por não atenderem às expectativas propostas e simplesmente não terem a mesma inteligência lógica que muitos? São esses os prejudicados nos testes, pois tudo o que importa são os números e quantas foram as questões acertadas. E em grande parte dos casos, ao se sentirem diminuídos perante tantos julgamentos, são também esses os que desistem. Jogam tudo para o alto, dando um verdadeiro “foda-se” para tudo e aceitando as considerações dadas pelo sistema.

A educação deveria realmente se preocupar em auxiliar os com maior nível de dificuldade. Porém, a obsessão pelo exame é tão grande, que acaba ocorrendo um desespero quanto às táticas e as matérias para que se tenha um bom índice de aprovação, e os “burros” são passados para trás. Se existem sete tipos de inteligência propostos cientificamente, por que ainda só o lógico é realmente considerado?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *