Os profetas pessimistas

Opinião é algo tão pessoal quanto suas próprias memórias que tão bem são guardadas em nossas cabeças, ter nossa liberdade significa que nós podemos exibir estas opiniões sem que sejamos julgados ou condenados. Mas e se nossas opiniões não fossem mais de nosso poder e fôssemos obrigados a nos submeter perante influências sociais impostas a nós?

“Well, Well, Well, My brothers”, não é bem isso que acontece hoje em dia? Não precisamos ir longe e ver que muitos já previam o futuro cataclísmico em que o pensamento não era mais nada além do que um subproduto do estado, essas são as ditas distopias. Criadas principalmente em países do Hemisfério Norte, elas nos trazem algo muito diferente das utopias ,e associem bem, as distopias nos vêm pra trazer um oposto das utopias. Nós conhecemos as utopias que vimos em “Peter pan”, “A vila”, “20 mil léguas submarinas”, “as viagens de Gúlliver” e muitos outros, mas (nas raízes da literatura contemporânea britânica) George Orwell nos traz um país enorme onde o passado é constante, a verdade é o que o governo diz. Esse é o clima ambientado no livro 1984, em que vimos a luta de Winston Smith contra este governo e com um toque de genialidade ele consegue trazer um grande receio pelo futuro que vem vindo, basta apenas apenas que se vejam as “previsões” que são feitas no livro (Fatos que realmente conseguimos adaptar a nossa realidade atual com facilidade). A contemporaneidade do livro é assombrosa.

Em linhas mais simplórias com uma linguagem mais complicada, Anthony Burgess nos traz um vislumbre de uma juventude violenta e sangrenta em Laranja mecânica, em que nosso querido antagonista, O Pequeno Alex, passa por uma vida comum para um jovenzinho maltchik, ou seja adolescente, numa época cheia de ultraviolência em que seu principal hobbie é dar uns bons toltchoks, ou seja pancadas, em veks, ou seja velhos. Estranhamento linguístico não é somente o que o leitor enfrenta quando lê o livro. Com uma mistura de russo e algumas gírias inglesas da época, Burgess cria o linguajar Nadsat, muito utilizado pelos adolescentes da época. Anthony nos leva a pensar sobre a questão da ética e do própria escolha entre bem e mal em uma obra cheia de sangue e violência. Para os amantes de cinema, o filme da obra, dirigido por Stanley Kubrick, não deixa a desejar.

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